Idaf e Senar promovem capacitação para erradicar brucelose no Estado

O Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) promovem, a partir deste mês, a capacitação de 50 agentes de saúde animal que irão realizar os trabalhos de vacinação contra brucelose de bezerras de três a oito meses de idade.

O treinamento é a primeira de uma série de ações que visam ao controle e à erradicação da doença e está inserido no Projeto para Melhoria da Cobertura Vacinal da Brucelose, executado por meio de um convênio entre a Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Espírito Santo (Faes) e a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).

A médica veterinária do Idaf, Daniele da Costa, explica que a capacitação será dividida em duas turmas: a primeira, de 03 a 05 de fevereiro, e a segunda, de 09 a 11 do mesmo mês. O treinamento consiste em aulas teóricas, no Centro de Aperfeiçoamento de Líder Rural (Calir), em Viana, e práticas, em quatro propriedades do mesmo município.

Os treinandos foram indicados por 50 sindicatos rurais de todo o Estado que, após o curso, estarão cadastrados e aptos a realizarem a vacinação, atuando junto aos referidos sindicatos no atendimento ao produtor.

Daniele destaca que, na ocasião, não serão abordados apenas temas relativos à brucelose, mas serão prestados esclarecimentos, por meio de uma série de palestras, sobre temas como vigilância do trânsito de animais, controle de aglomerações, febre aftosa, raiva e tuberculose.

Com isso, possibilita-se disseminar importantes informações que irão contribuir na defesa sanitária do rebanho do Estado, reduzindo a incidência de doenças e melhorando o padrão sanitário dos produtos de origem animal.

Brucelose

A brucelose é uma doença infecto-contagiosa, provocada por bactéria e que acomete, com mais freqüência, os bovinos e bubalinos, podendo também ser transmitida aos seres humanos. Os principais sintomas nos animais são: aborto entre o sétimo e oitavo mês de gestação, retenção de placenta, infecção uterina e inflamação dos testículos.
 
Nos animais, as formas de contágio se dão pelo contato direto com fetos e placentas eliminados pela fêmea ao abortar ou parir; pela ingestão de pastagens ou água contaminadas por restos do parto ou aborto; e pelo contato com sêmen e leite provenientes de animal infectado.

Os seres humanos, por sua vez, podem ser acometidos pela doença ao consumir leite cru e seus derivados, ou por meio da manipulação dos animais durante o parto. 
 
Sendo assim, alguns cuidados são fundamentais para a prevenção da brucelose. A vacinação, que é obrigatória, precisa ser realizada em todas as bezerras de três a oito meses de idade, que devem ser marcadas no lado esquerdo da face com a letra V, acompanhada do número final do ano em que ocorreu a vacinação. Além disso, é necessária a realização de exames no rebanho ao menos duas vezes por ano.
 
O chefe do Departamento de Defesa Sanitária e Inspeção Animal do Idaf, Fábio Fiúza Rangel, orienta que a vacina só pode ser aplicada por pessoas cadastradas no Idaf e o exame para diagnóstico da doença deve ser feito por profissionais habilitados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
 
“O exame negativo de brucelose ou o atestado de vacinação é obrigatório para a obtenção da Guia de Trânsito Animal (GTA), que autoriza o trânsito interestadual de animais de reprodução e também a participação dos mesmos em leilões, exposições ou outros tipos de aglomerações”, explica ele.